Brasil recorre contra certificação de sistema da Microsoft

A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) entrou com uma apelação junto à ISO (Organização Internacional de Padrões) contra a decisão de tornar o formato de documento eletrônico da Microsoft um padrão global da indústria. A ABNT quer que a decisão seja reconsiderada.

O apelo foi enviado à ISO e à IEC (International Electrotechnical Commission), os dois órgãos que aprovaram a adoção do formato como padrão.

Em abril, a ISO anunciou que a Microsoft havia conseguido apoio suficiente na organização para certificar o formato de documento Office Open XML, uma versão de seu formato padrão para arquivamento de documentos do Microsoft Office 2007. Com a certificação, a empresa pode aumentar suas chances de vencer contratos governamentais e estimular os desenvolvedores a trabalharem em novos aplicativos e conteúdos.

Em setembro do ano passado, o pedido havia sido negado pela ISO, que reconsiderou a decisão em uma reunião realizada em março deste ano.

Segundo a ABNT, que é representante da ISO no Brasil, a reunião que deu o aval ao formato da Microsoft foi inconclusiva e alguns comentários feitos pelo país não foram discutidos. O órgão reclama também de a decisão final não ter sido publicada oficialmente até hoje. Por isso, a ABNT pede que a ISO reavalie o assunto –não foi pedido que a decisão seja anulada, apenas reconsiderada.

Processo

A IEC confirma a apelação feita pelo Brasil –Índia e África do Sul também tomaram medidas semelhantes. “Os recursos foram impetrados durante esta semana”, afirmou Jonathan Buck, porta-voz da IEC.

De acordo com Buck, o IEC e a ISO têm 30 dias para avaliar se os recursos têm fundamento. Caso seja aceitos, eles serão avaliados por conselhos técnicos das duas organizações. Ele afirmou que não poderia dar mais detalhes sobre o conteúdo das ações porque o processo é sigiloso.

Entre as empresas, a oposição à certificação do padrão da Microsoft argumentava que a chegada de um concorrente ao formato ODF (Open Document Format), que já possuía o certificado de padrão internacional e foi desenvolvido por um consórcio encabeçado pela Sun Microsystems, acabava com a proposta de formular um padrão.

O Google, que usa o padrão ODF em seus aplicativos de edição de documentos e planilhas, também integrava o grupo dos opositores da Microsoft nesse caso. A empresa alegava fatores como a dependência do Office Open XML dos formatos proprietários da Microsoft.

A tecnologia ODF permite que os usuários salvem documentos em uma variedade de formatos, incluindo os da Microsoft. Apesar de o Office Open XML originalmente não permitir salvar textos e planilhas como arquivos ODF, a Microsoft decidiu permitir a conversão.

[.Via folha online.]

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